Indústria mineira em 2023: alimentos, extração mineral metálica e metalurgia concentram 38,9% do valor da transformação industrial

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Em 2023, os setores de indústria de alimentos, extração de minerais metálicos e metalurgia juntos responderam por 38,9% do Valor da Transformação Industrial (VTI) em Minas Gerais — consolidando-se como os pilares do setor industrial no estado.

De acordo com dados do perfil da indústria no estado pela CNI, a distribuição de participação foi a seguinte:

  • Extração de minerais metálicos — 14,3%
  • Indústria de alimentos — 11,7%
  • Metalurgia — 15,3%

A soma desses três setores explica a significativa fatia de quase 40% do VTI estadual, indicando o peso estratégico dessas atividades na economia mineira.


Contexto dos setores

Extração de minerais metálicos

Minas Gerais responde por cerca de 41,7% da produção mineral do país em valor, com destaque para ferro, manganês, nióbio, ouro e lítio . Em 2023, o segmento extrativo cresceu 7,6% em volume e foi o principal motor do crescimento industrial estadual [diariodocomercio].

Indústria de alimentos

Com participação de 11,7% do VTI do estado, o setor alimentício se manteve forte, alinhado à liderança nacional da indústria de alimentos entre as atividades de transformação .

Metalurgia

Com 15,3% do VTI estadual, a metalurgia segue como um dos setores mais robustos em Minas, aproveitando o fluxo de insumos minerais locais e a presença de grandes empresas como Gerdau e Usiminas [pt.wikipedia].


Importância e impactos

AspectoSignificado
Atuação econômicaOs três setores somados respondem por 38,9% do VTI — quase 4 em cada 10 reais gerados pela transformação industrial.
EmpregoMetalurgia e mineração concentram grande parte dos empregos industriais nas grandes empresas, enquanto a indústria de alimentos preserva milhares de postos em micro e pequenas empresas [pt.wikipedia].
ExportaçõesExtração de minerais metálicos foi o setor mais exportador em 2022, com 41,84% do total industrial de MG; alimentos lideram exportações do agronegócio .

Além disso, o resultado demonstra a resiliência da indústria mineira, cujo PIB industrial totalizou R$ 240,7 bilhões em 2023, representando melhora de 3,4% em relação ao ano anterior — ante estagnação nacional.

Os setores de alimentos, extração de minerais metálicos e metalurgia formam a espinha dorsal da indústria em Minas Gerais, somando 38,9% do valor da transformação industrial. A força desses segmentos sustenta empregos, exportações e o crescimento econômico estadual. O desempenho de 2023 refletiu- se em avanços expressivos e reforça a importância estratégica de manter políticas públicas e investimentos direcionados à inovação, infraestrutura e sustentabilidade nesses setores.

Norte de MG lidera mineração de lítio e impulsiona VTI em 2023

Dados por região: Norte de Minas e Jequitinhonha em evidência

A região Norte de Minas, especialmente Salinas, se consolidou em 2023 como polo global de lítio — matéria-prima essencial para baterias — com projetos que somam US$ 370 milhões em investimentos da Pilbara‑Latin Resources [reddit].

Já o Vale do Jequitinhonha viu a mineradora Sigma iniciar exploração de lítio com aporte de R$ 3 bilhões, prevendo R$ 2,5 bilhões em royalties nos próximos 13 anos.

Este movimento se soma à tradição do Quadrilátero Ferrífero, que responde por 60 % da produção de ferro de MG — alimentando o PIB de cidades como Mariana, com 80 % do valor econômico no setor industrial [pt.wikipedia].


Comparativo 2023 vs. 2022: estabilidade com diversificação

  • A mineração mineira faturou R$ 103,6 bilhões em 2023, contra R$ 100,5 bilhões em 2022 — alta de 3,1% nas exportações e estabilidade no faturamento agregado [cidadeseminerais.com].
  • Apesar de queda das receitas de ferro e ouro (–3,6 % e –11,9 % em US$/ton), houve avanço em cobre (+6,5 %), bauxita (+0,3 %), calcário (+11 %) e granito (+25,6 %).

Em contrapartida, o agronegócio superou a mineração nas exportações pela 1ª vez em 2024 (US$ 15,7 bi) frente à mineração (US$ 14,5 bi) — revelando mudança na pauta econômica do estado.


Desafios ambientais e conflitos locais

Minas registra 37,5 % dos conflitos por mineração no país em 2022, com 95 municípios afetados — Brumadinho foi epicentro, com 30 ocorrências relacionadas à Vale S.A. e Samarco.

Por sua vez, municípios do Norte e Jequitinhonha já enfrentam tensões: impactos no abastecimento de água, saúde pública e danos a ecossistemas, com críticas locais à distribuição de renda decorrente das atividades mineradoras .


Perfil corporativo: Vale S.A. na vanguarda

A Vale liderou ranking de inovação em mineração e siderurgia em 2024, com investimento de R$ 3,6 bilhões em P&D (1,73% da receita), operando 28 caminhões autônomos e 39 máquinas inteligentes [vale.com].

A empresa também investe em descarbonização, com projetos de supressão de poeira usando resina de PET reciclado, produzida em escala industrial.


Descarbonização e infraestrutura sustentável

O governo de Minas lançou a “Rota da Descarbonização” para fomentar integração entre mineração e energias renováveis, buscando neutralidade de carbono e geração de empregos verdes [revistari.com.br].

No modal logístico, investimentos de Rumo, Vale e MRS — R$ 16,7 bilhões em ferrovias — visam conectar o Norte mineiro ao portos e reduzir emissões via transporte ferroviário híbrido/hidrogênio.

O Norte de Minas desaparece como nova fronteira da mineração de minerais críticos, especialmente lítio, potencializando o VTI do estado e atraindo bilhões. O desempenho de 2023 reforça estabilidade porém aponta tensão socioambiental, exigindo políticas que mitiguem conflitos e garantam inclusão local e sustentabilidade.


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