A Fundação João Pinheiro (FJP) divulgou, nesta quinta-feira (10), uma análise detalhada da participação de Minas Gerais no comércio internacional de produtos de alta tecnologia no primeiro semestre de 2025. O estudo revela um crescimento significativo nas exportações mineiras de itens com alto índice de pesquisa e desenvolvimento, reforçando a tendência de diversificação da pauta exportadora do estado.
A publicação acompanha o lançamento de um painel interativo com dados históricos de exportações e importações brasileiras, de 1997 a 2024, classificadas por intensidade tecnológica segundo critérios da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A plataforma utiliza dados oficiais do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Minas cresce em exportações de alta tecnologia
Entre janeiro e junho de 2025, Minas Gerais aumentou em 32,7% o valor exportado de produtos de alta tecnologia em comparação com o mesmo período de 2024. Esse grupo de produtos — que inclui, por exemplo, aeronaves, componentes eletrônicos e produtos farmacêuticos — passou a representar 1% da pauta exportadora mineira, percentual ainda pequeno, mas que sinaliza um avanço em relação à predominância histórica de produtos de baixa e média baixa intensidade tecnológica.
No ranking nacional de 2024, Minas ocupava a terceira posição entre os estados que mais exportaram produtos de alta tecnologia, com US$ 523,7 milhões vendidos, o que representava 7,1% da pauta brasileira. São Paulo liderava com 77,2% do total, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,6%.
Principais destinos dos produtos mineiros de alta tecnologia
Os Estados Unidos se destacaram como principal destino das exportações mineiras de alta tecnologia no primeiro semestre de 2025, respondendo por 23,2% dos embarques do estado nesse segmento. Em seguida, aparecem a Dinamarca (16%) e a França (11,9%).
- Estados Unidos e França concentraram suas compras em aeronaves e componentes aeronáuticos;
- Já a Dinamarca foi o principal destino de produtos farmacêuticos, refletindo a diversificação do portfólio tecnológico exportado.
Exportações de média alta tecnologia também ganham espaço
Outro destaque é o crescimento das exportações de produtos classificados como média alta tecnologia, que representaram 7,6% da pauta total do estado. Entre os itens mais vendidos nesse grupo estão:
- Veículos automotores – 50,8%
- Produtos químicos – 24,7%
- Máquinas e materiais elétricos – 13%
Os principais destinos foram:
- Argentina, com 37,6% das exportações de média alta tecnologia
- Estados Unidos, com 18%
Importações de Minas também focam em alta tecnologia
Em contrapartida, as importações mineiras continuam dominadas por produtos de alta e média alta tecnologia, que representaram 68,4% do total de compras externas do estado no primeiro semestre de 2025.
Na categoria de alta tecnologia, os destaques são:
- Produtos farmacêuticos – 41,6%
- Equipamentos eletrônicos e ópticos – 40%
- Aeronaves e componentes – 18,4%
Os principais países fornecedores:
- China – 23,4%
- Estados Unidos – 22,3%
- Índia – 8,9%
Importações de média alta tecnologia
Minas Gerais também registrou volume expressivo na importação de produtos de média alta tecnologia, especialmente:
- Produtos químicos – 32%
- Veículos e autopeças – 26,2%
- Máquinas mecânicas – 24,2%
- Equipamentos elétricos – 12,5%
- Instrumentos médicos e odontológicos – 3,7%
Principais parceiros comerciais:
- China – 31,6%
- Estados Unidos – 12,2%
- Argentina – 10%
Minas sinaliza novos rumos para exportações tecnológicas
Embora ainda modesta em termos percentuais, a evolução das exportações de produtos de alta tecnologia por Minas Gerais indica uma movimentação importante rumo à diversificação produtiva e ao fortalecimento de setores mais intensivos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.
A Fundação João Pinheiro reforça que o novo painel interativo lançado permite um acompanhamento contínuo e transparente do desempenho de Minas e dos demais estados na balança comercial tecnológica, oferecendo uma ferramenta estratégica para formuladores de políticas públicas, empresários e pesquisadores.
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