Brasil se autodeclara livre da gripe aviária após 28 dias sem novos casos em granja comercial

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FILE PHOTO: Chickens sit in cages at a farm, as Argentina's government adopts new measures to prevent the spread of bird flu and limit potential damage to exports as cases rise in the region, in Buenos Aires, Argentina February 22, 2023. REUTERS/Mariana Nedelcu/File Photo
FILE PHOTO: Chickens sit in cages at a farm, as Argentina's government adopts new measures to prevent the spread of bird flu and limit potential damage to exports as cases rise in the region, in Buenos Aires, Argentina February 22, 2023. REUTERS/Mariana Nedelcu/File Photo

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) comunicou formalmente à OMSA em 18 de junho de 2025 o fim do período de vazio sanitário de 28 dias — necessário após o foco de gripe aviária em uma granja comercial em Montenegro (RS), isolado em 16 de maio — e se autodeclarou livre da IAAP (Influenza Aviária de Alta Patogenicidade) em granjas comerciais.

Este intervalo corresponde ao ciclo de incubação do vírus, período no qual não pode haver novas ocorrências. Com isso, o status sanitário restaurado é crucial para permitir o retorno gradual do comércio internacional de aves, interrompido por medidas de contingência desde o incidente no RS .


Impacto no comércio internacional

O anúncio da autodeclaração foi bem recebido pelo mercado. Países como África do Sul iniciaram a suspensão parcial de embargos a partir de 19 de junho, enquanto outros mantêm restrições limitadas a regiões específicas, como o Rio Grande do Sul.

Antes do episódio, o Brasil exportava para cerca de 68 países — incluindo grandes consumidores como China, União Europeia, Japão, Emirados Árabes e Rússia. Ao todo, cerca de 47 países haviam suspendido totalmente os embarques; outros 21 aplicavam restrições regionais .


Protocolo e vigilância

O MAPA destacou que:

  • A granja infectada foi integralmente desinfetada, iniciando-se então o prazo de 28 dias.
  • Todas as etapas do protocolo — identificação, isolamento e notificação — foram realizadas com transparência.
  • O Brasil mantém vigilância ativa em granjas comerciais, criações de subsistência, zoológicos e fauna silvestre, com casos esporádicos ainda sob acompanhamento.

Perspectivas para o agronegócio

Com a autodeclaração, o setor avícola se prepara para retomar negocições com importadores e normalizar exportações. A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) destaca o resultado como “passo decisivo para retomar volumes tradicionais e reforçar a segurança alimentar global”.

Apesar disso, a remuneração dos produtores permanece fragilizada: em maio, as exportações caíram cerca de 13%, impactando a balança comercial [canalrural.com.br].


Riscos e vigilância contínua

O perigo não desapareceu: a gripe aviária permanece endêmica em aves silvestres, com 174 casos reportados desde 2023, especialmente em populações costeiras. Especialistas afirmam que novas variantes podem atingir criações comerciais, exigindo reforço nas medidas de biosegurança.

Protocolos mantêm barreiras sanitárias em zoológicos e criações urbanas, além de monitoramento em regiões vulneráveis .

A autodeclaração brasileira como país livre da gripe aviária em granjas comerciais representa alívio para o setor e possibilita o retorno às exportações. É o reflexo da eficácia do controle sanitário nacional, embora a vigilância deva continuar rigorosa, dada a persistência do vírus na fauna silvestre global.


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