Mapeamento produtivo e ambiental beneficia produtores rurais

O uso da tecnologia vem trazendo grandes ganhos de eficiência nos mais diversos setores e, no meio rural, também não é diferente. No município de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, as informações sobre as propriedades rurais e seus donos, produção agropecuária, recursos naturais e muitos outros dados importantes estão agora facilmente disponíveis via computador.

Tudo isso é resultado do projeto Gestor Rural, iniciado pelo extensionista Manoel Simões de Barros, em 2017, e que atualmente está em processo de expansão.

Ação

Manoel Barros trabalhava no município vizinho, Ipatinga. Ao ser transferido, em 2017, desconhecia as características fundiárias e de produção rural de Coronel Fabriciano. O extensionista iniciou, então, um trabalho de reconhecimento de campo, com apoio da prefeitura.

“A ideia nasceu da necessidade de obter de forma mais rápida e eficiente dados sobre o uso do solo, produção agrícola e pecuária e outras informações do município. Assim, tanto eu como a administração municipal teríamos um levantamento para subsidiar informações internas da empresa, além de atender a administração local na elaboração de projetos e políticas públicas direcionadas para os produtores do município”, explica o técnico.

O primeiro passo dado por Manoel Barros foi usar a base de dados georreferenciados existente no escritório local da Emater-MG, que continha dados como os limites do município, sua malha hídrica e viária rural, o que permitiu trabalhar com o software Google Earth. Ao processar as informações, o extensionista percebeu que as ferramentas tecnológicas e as informações livres contidas na base do Cadastro Ambiental Rural (CAR) poderiam agregar e qualificar ainda mais o trabalho, definindo as divisas de um grande número de propriedades rurais do município.

O passo seguinte foi a organização das informações coletadas em um só banco de dados, acrescendo-se ao mesmo, dados primários coletados a campo e secundários, contendo as características socioculturais das famílias. Manoel continuou a incrementar o banco de dados com mapas, levantamento de trilha e marcação de pontos, além de tirar nas visitas técnicas fotografias georreferenciadas, nas quais podem ser inseridas dados, como o nome do produtor, dados como tipo de cultura, área e/ou número de plantas, dentre outras.

Em 2019, a prefeitura disponibilizou um estagiário para auxiliar na tabulação dos dados e um auxiliar de campo para ajudar no levantamento de campo. Com isso, foi possível embasar diversas demandas da Emater como os lançamentos do sistema Safra Agrícola e do mapa de produção do município. Já no âmbito externo municipal, o desafio era conhecer as famílias com seus anseios e particularidades para elaborar um plano de trabalho sustentável para Coronel Fabriciano.

No mesmo ano, também foi concluído um trabalho de diagnóstico ambiental de quase 150 imóveis rurais para o projeto Rio Vivo, contratado com os Comitês de Bacia do Rio Piracicaba e do Rio Doce. Assim foi disponibilizado para o setor de meio ambiente da prefeitura uma coletânea física e digital dos levantamentos de campo de todas as propriedades cadastradas e arquivos que também foram inseridos na base de dados.

Em menos de dois anos de trabalho, foi feito um mapeamento produtivo, ambiental e econômico de 80% da zona rural do município. Graças ao levantamento dá para se ter uma visualização rápida e ampla de uma enorme gama de informações.

“O banco de dados possibilita uma tomada rápida de decisões com mais precisão. Como exemplo citamos a cultura do eucalipto, que após os levantamentos de campo e de escritório, teve correção de área de cerca de 800 hectares para mais de 4.000 hectares plantados. Outros produtos também tiveram alterações nos lançamentos e se encontram sempre em ajuste”, explica Manoel.

Regularização fundiária

O secretário de Governança de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Cultura de Fabriciano, Homero Quinete, diz que o projeto Gestor Rural viabilizou várias políticas públicas da prefeitura.

“Por meio do Gestor Rural, foi possível implementarmos com maior agilidade o programa da bovinocultura leiteira, que envolveu a melhoria da qualidade genética do plantel e da qualidade do leite. Também usamos os dados para construir e planejar vários projetos e ações no campo como a ampliação de culturas, além de projetos para emenda parlamentar. Conseguimos, por exemplo, uma patrulha rural. E tem ainda a regularização fundiária da área rural do município que vai ser feita e beneficiar muito os produtores”, observa o secretário.

O extensionista da Emater diz que o projeto Gestor Rural tem proporcionado informações substanciais para embasar relatórios, elaborar propostas e projetos, além de consultas diversas como de estudantes do município. “Mas não se trata de um projeto com prazo definido, ele deve ser alimentado periodicamente para que se mantenha sempre atualizado. A gente pretende, no futuro, criar um aplicativo para que essa entrada e tabulação dos dados incorpore também as áreas georreferenciadas, levantadas a campo. A ideia do projeto deve permanecer sim e ser amplamente melhorada”, afirma Manoel.

Devido aos bons resultados apresentados, o projeto Gestor Rural foi o vencedor do prêmio “MelhorInovação”, pela Unidade Regional da Emater-MG de Ipatinga. O concurso contempla as melhores iniciativas dos extensionistas da empresa no ano. O trabalho também tem despertado o interesse de outras prefeituras da região, que estão buscando informações para fazer a implementação de programas semelhantes em seus municípios.

Fonte: Agência Minas

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