Montes Claros: Hospital das Clínicas instala equipamentos para atender pacientes com síndrome respiratória

Em meio a tantos problemas para enfrentar a pandemia, como a falta de leitos, de equipamentos e suprimentos e até de mão de obra na área da saúde, Montes Claros e região recebem uma boa notícia. O Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira (HCMR), porta de entrada para pacientes com Covid-19, está sendo equipado com aparelhos avançados que vão melhorar o atendimento a pacientes com síndrome respiratória.São equipamentos de Terapia de Alto Fluxo, utilizados em pacientes de UTI. A unidade de saúde já recebeu três aparelhos e mais 20 estão para chegar.Em entrevista, a diretora do Hospital das Clínicas, Raquel Muniz, fala sobre a aquisição do cateter de alto fluxo: impedir a evolução para a intubação.

A grande vantagem dessa tecnologia é a de que ela é uma etapa a mais de tratamento que pode evitar que o paciente necessite de intubação. Isso gera mais bem-estar e mais segurança para o paciente.“Considerando que a síndrome respiratória aguda grave causada pela Covid-19 é caracterizada pela falta de oxigênio no sangue, qualquer aparelho que venha a oferecer uma fração inspirada de oxigênio maior do que essa fração que encontramos no ar ambiente, que é de 21%, é um benefício. Hoje, já conseguimos oferecer isso por meio de um cateter nasal de alto fluxo ou por um respirador mecânico, que é o ventilador. No caso do ventilador mecânico, o paciente precisa ser induzido a um coma geral, receber medicação que vai causar um distúrbio no organismo e outros sistemas”, explica Enilton Teixeira de Freitas, médico clínico e intensivista do CTI Geral e Covid do HCMR.

Segundo o médico, o cateter nasal de alto fluxo, que é o dispositivo que o hospital possui agora, é uma forma similar de ofertar o oxigênio introduzido pelo respirador. “Lembrando que é um dispositivo mais confortável, ao qual o paciente se adapta com mais facilidade e ele fica repousado no leito, sem a necessidade de sedação e de um coma induzido. O ar já vem aquecido e com uma fração superior ao ar que respiramos do meio ambiente, melhorando assim o distúrbio primário da Covid-19, que é de hipoxemia”, detalha Enilton.No entanto, se mesmo com o uso do novo equipamento o paciente com Covid não apresentar evolução no quadro respiratório, a intubação pode se fazer necessária.

FALTA DE SEDATIVOS

Ainda ontem, o governador Romeu Zema explicitou sua preocupação com a falta do kit intubação em várias cidades mineiras. Segundo ele, em alguns casos, o medicamento pode durar só mais um dia.Com a tecnologia adquirida pelo Mário Ribeiro, esse risco é atenuado, pois pode reduzir o número de pessoas que precisam do uso do sedativo. “O cateter nasal não é invasivo, proporcionando uma ventilação não invasiva, com fração de oxigênio maior, proporcionando uma terapia efetiva. Lembrando que ele não vai atrasar a intubação ou a solução de todos os pacientes. Existe um perfil seleto de pacientes para este benefício, sendo uma alternativa muito segura e efetiva em determinado quadro”, destaca Enilton Freitas.Nesta sexta-feira (9), o HCMR irá realizar um treinamento para todos os fisioterapeutas que estão na linha de frente de combate à Covid-19 para utilização do equipamento.

INVESTIMENTO

O cateter de alto fluxo foi adquirido com recursos próprios do hospital. Cada um dos três equipamentos que já estão no hospital custou, em média, R$ 58 mil, perfazendo um investimento de R$ 174 mil. Os outros 20, importados, saem por R$ 22 mil, cada, totalizando R$ 440 mil.“Nós nos preparamos, investimos e a cada tecnologia que vemos chegar no mundo, queremos trazer aqui também para o Mário Ribeiro. E não seria diferente com o cateter de alto fluxo. Já adquirimos o total de 23, com três deles já disponíveis no hospital. Vinte deles foram importados com recursos próprios do hospital. Isso significa que vamos dar mais conforto e mais altas aos nossos pacientes que iriam para um respirador e não irão mais”, explica a diretora do HC, a médica Raquel Muniz.O hospital ressalta que conta com apoio das secretarias Municipal e Estadual de Saúde e do governo federal.

Fonte: jornal O Norte

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