Vacina Gripe: pouca procura e estratégias diferentes nos municípios

Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, que será realizada entre os dias 23 de abril a 1º de junho em todo país, no Centro de Saúde Pinheiros, região oeste.

Os primeiros dias da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe tiveram postos vazios em diversos municípios do país. Na última segunda-feira (12), as Secretarias de Saúde locais começaram a imunização contra a Influenza que, neste ano, apresenta um desafio adicional: a pandemia da Covid-19. 
 
Em meio à aplicação das vacinas contra o novo coronavírus, as autoridades de Saúde tiveram que se preparar para proteger a população da gripe também, de modo a evitar aglomerações e sobrecarga ainda maior do sistema de saúde. Alessandro Chagas, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), garante que os municípios estão preparados para promover as duas campanhas de vacinação. 
 
“Os municípios estão muito acostumados a fazer campanha. É importante porque temos que continuar protegendo vidas. Essa é a função do Programa Nacional de Imunização (PNI) e essa é a função nobre do SUS no país e que o município operacionaliza lá na ponta, nas suas 48 mil unidades básicas de saúde”, salienta. 

A maior novidade da campanha de imunização contra a gripe este ano é a inversão do atendimento aos grupos prioritários. A primeira fase, que vai até 10 de maio, serão vacinadas as crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, povos indígenas e trabalhadores da saúde. Tradicionalmente, essa fase tinha os idosos como público-alvo, mas a orientação do Ministério da Saúde é que as pessoas com 60 anos ou mais recebam primeiro a vacina contra a Covid-19. 
 
“A própria organização da campanha já está evitando que os grupos se cruzem, porque tem que existir um período. Você não pode tomar os dois imunizantes ao mesmo tempo”, destaca Chagas. 
 
De acordo com as autoridades de Saúde, uma pessoa não deve receber as duas vacinas no mesmo dia. Assim, se tomou primeiro a dose contra a Covid-19, deve-se esperar, no mínimo, 14 dias antes de receber a vacina contra Influenza e vice-versa. No caso de a pessoa ter tomado o imunizante contra a gripe após a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, também precisa ser respeitado o prazo de 14 dias antes da segunda dose. 

Arte: Brasil 61
Estratégias

Responsáveis pela aplicação da vacina, as Secretarias de Saúde Municipais têm adotado estratégias diferentes para administrar duas campanhas de imunização em massa. No caso de Florianópolis, quem deseja receber o imunizante contra a gripe, só consegue se agendar horário em um dos Centros de Saúde da Capital. 

A marcação ocorre diretamente com as equipes de saúde pelo WhatsApp. Por meio da página sus.floripa.br/contatoscs/, os moradores da capital catarinense conseguem acessar os contatos telefônicos das unidades de saúde mais próximas de casa e, assim, marcar o dia para reforçar a proteção contra a gripe.

Com essas medidas, a pasta espera evitar aglomerações nos postos de saúde e garantir a segurança da população. Em Florianópolis, o público-alvo é de 170 mil pessoas. A meta é vacinar, ao menos, 90% desse total. 

Já Belo Horizonte vai vacinar o público-alvo sem agendamento. Basta comparecer a uma unidade de saúde dentro do horário de rotina das salas de vacina. Segundo Fabiano Pimenta, subsecretário de Promoção e Vigilância à Saúde, as unidades de saúde da capital mineira têm estrutura para promover as duas campanhas de vacinação simultaneamente, de forma “segura e eficaz”. 

“Quando o grupo for ampliado, vamos adotar estratégias diferenciadas, como, por exemplo, abertura de postos extras”, acrescenta. Para o início da campanha contra a gripe, BH recebeu 86.800 doses. No ano passado, mais de um milhão de pessoas recebeu a dose contra Influenza. 

Eficácia da vacina da gripe

Durante as fases de testes para produção de vacinas contra a Covid-19, uma das perguntas mais frequentes era: “Qual a eficácia da vacina?”. Em relação ao imunizante contra a gripe não é diferente. O infectologista Hemerson Luz detalha esse indicador importante. “A vacina da gripe apresenta uma eficácia entre 60% e 70%. Certamente é um bom grau de proteção e essas pessoas vacinadas não vão evoluir para formas graves da doença”, explica. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a presença dos anticorpos protetores no organismo ocorre entre 2ª a 3ª semanas após a vacinação. Por isso, é possível que o indivíduo que tomou a vacina contra a gripe possa ter quadro gripal após o imunizante, uma vez que a imunidade não é adquirida automaticamente após a dose. É por isso, inclusive, que é comum as pessoas atribuírem a gripe à própria vacina, o que não é possível, já que a vacina é composta por vírus inativados. Ainda segundo as autoridades de Saúde, a proteção conferida pela vacinação é de aproximadamente um ano. Por isso é importante se vacinar com a mesma frequência. 

Como diferenciar gripe de Covid-19

Tanto a gripe quanto a Covid-19 são doenças causadas por vírus que atacam, principalmente, o sistema respiratório. Por isso, é fácil confundir os sintomas e é difícil diferenciá-los. Algumas vezes os sintomas podem, inclusive, ser causados por um resfriado.  Sinais como tosse, febre e dor de cabeça estão presentes em ambas as doenças. Por isso, a vacinação é tão importante, explica Hemerson, pois além de evitar a sobrecarga do sistema de saúde, ajuda os médicos a diagnosticar o quadro dos pacientes. 

“Quando uma pessoa procura atendimento médico com uma síndrome gripal, com sintomas respiratórios, o médico certamente vai perguntar se ele foi vacinado contra a gripe ou se foi vacinado contra a Covid. Assim vai ajudar o médico no diagnóstico e nas decisões terapêuticas futuras”, diz

Campanha

O Ministério da Saúde prevê a distribuição de 80 milhões de doses da vacina Influenza aos estados e municípios. Para adquirir as doses junto ao Instituto Butantan, que produz o imunizante, a pasta desembolsou cerca de R$ 1,2 bilhão. Segundo a pasta, a campanha conta com mais de 50 mil postos de vacinação espalhados pelo país. O órgão deixou a cargo das prefeituras a realização do “Dia D”, em que tradicionalmente há uma maior mobilização para a aplicação das doses. 

Fonte: Brasil 61

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